"E um dia quando souberes
Nalgum livro seras eu
E nesse novo viver
Eu somente quero ser
A mais apagada imagem
Deste Rio Grande selvagem
Que até morto hei de querer!"
Jaime Caetano Braun
“Todos os gaúchos têm a soberba dos antigos espanhóis e, em conseqüência das particularidades da vida que levam, são geralmente apaixonados amantes da liberdade. Cada qual julga-se uma caballero (no sentido de cavalheiro) e trata o próximo com a mais requintada cortesia, a fim de ser pelos outros tratado do mesmo modo. Ao mais pobre-diabo e mesmo aos mendigos, tratam com senhoria. O estrangeiro que supõe poder tratar um gaúcho com desdém por se julgar mais rico ou mais importante, cedo ou tarde se arrependerá. O desprezo manifestado costuma ser castigado com uma boa dose de grosseria, e se esta não produz resultado, será desventrado a faca. Uma vez porém que se trate o gaúcho de modo igualitário, ter-se-á nele, em pouco tempo, o mais fiel e dedicado dos amigos.
Charles Darwin em sua viagem no Beagle, quando na Bacia do Prata, encontrou gaúchos e o espanto da descrição é eloqüente: "Nunca vi pessoas mais orgulhosas de seu trabalho, uma atividade tão simples"
“Observaram com vivo interesse, que os gaúchos, mesmo apeados, desassociados dos voluntariosos cavalos, conservavam ainda assim uma indiscutível altivez e imponência, dando realce à firmeza e decisão dos passos, o rilhar metálico das esporas. " . Depois, Schweidson mostra como, pouco a pouco, os colonos iam sendo atraídos pelos costumes locais e aos poucos, tornavam-se também, para seu orgulho, gaúchos.
“Sua fala é enérgica, rápida e irregular; falam com fogosidade e grande facilidade; são imaginativos de espírito vivaz e apaixonados. Entre eles, quem sabe montar, laçar, atirar a boleadeira e manejar uma faca, está completo. ( ) são improvisadores, vivendo as expensas das inextinguíveis tropas de gado cuja carne é a base de sua alimentação. Muitos jamais comeram pão. Sua calma habitual cede lugar a um ardor indomável quando o fogo de suas paixões se acende, o que não é raro. O sentido de independência e amor a pátria, por exemplo se manifestaram mais de uma vez entre estas gentes grosseiras de alma heróica. Quando estoura uma guerra, este povo pastoril e pacífico se volve, de golpe, em um exército de terríveis guerreiros. Seu gosto pelo baile e música mostra igualmente, que sua sensibilidade é susceptível de grande exaltação. O Gaúcho é bravo por temperamento, mas sua bravura é animal(..). São capazes (..) dos mais formosos atos de devoção e sacrifício pessoal pela causa que abraçaram. Em suas brigas, em que o jogo é a causa mais habitual, estão sempre prontos a degolar-se. À menor provocação, sacam a faca e corre sangue”
Merece particular menção sua insuperável honestidade. Do mesmo modo que nunca fecha a porta de seu rancho, nunca se lembra de roubar. Se acha algum objeto perdido, devolve-o infalivelmente caso encontre o legítimo dono. É conhecido o relato de um gaúcho extremamente pobre que encontrando um relógio de algibeira viajou dois dias para devolver o objeto achado. Quando o viajante que era um estrangeiro, quis lhe dar uma gratificação em dinheiro, pegou da quantia ofertada e lançou-a, ofendido aos pés do ofertante, ao qual deu as costas voltando para sua casa”.
"Chamou-me a atenção desde minha entrada nessa Capitania, o ar de liberdade de todos que tenho encontrado e a destreza de seus gestos, livres da languidez que caracteriza os habitantes do interior do país. Seus movimentos têm mais vivacidade e há menos afabilidade em suas maneiras. Em uma palavra: são mais homens."
“ Gaúcho vive de privações, mas seu luxo é a liberdade. Fiel a uma independência sem limites, seus sentimentos são selvagens como sua vida, são portanto nobres e bons.”

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